quarta-feira, 23 de maio de 2012

Vai valer à pena!



Sou uma jovem de quase 25 anos, considero-me bonita, legal, tentando aprender a ser uma verdadeira cristã, e... SOLTEIRA. Não, isso não é um anúncio! É apenas uma bate-papo com vocês, moças jovens, sobre essa coisa tão difícil de esperar pelo romance.

Se você já está se distanciando dos 20 e se aproximando dos 30, como eu, deve também estar sentindo uma certa “nuvenzinha” nublando o sol sobre a sua cabeça durante um tempo que vai se tornando progressivamente maior sempre que você pensa sobre casamento. rs. Não é fácil! Para cada uma de vocês, meninas, que hoje me leem, quero dizer: não é fácil! Especialmente se você foi selecionada por Deus para fazer parte daquela espécie de mulheres sonhadoras, românticas, choronas, bobonas e com um instinto materno que aflora por todos os lados (como eu)! Aí entramos numa área crítica! rs.

Não é fácil, meninas, sonhar com o futuro, como toda menina em algum momento sonha ou sonhará, e não ver, diante de você, nenhum vislumbre de como ele será, de quando ele chegará, de como acontecerá e, em contrapartida, ver o tempo passando apressadamente. De verdade, normalmente é bastante difícil. Posso dizer pra vocês que passamos a pensar em tantas coisas quando chegam os 21 anos, os 22, os 23, os 24... chegar nos 25, então, é barra! (E eu estou quase lá! rs) Pensamos sobre quanto tempo vai levar até conhecermos aquele cara que conquistará nosso coração, construirmos uma amizade pura e verdadeira, esperar pela declaração e o pedido de compromisso, depois o noivado, a preparação para o casamento, para, ENTÃO (Uffa!), chegar o grande dia! Isso sem falar do “quase desespero” que dá quando pensamos em quanto vai demorar pra chegar o primeiro filho!! rsrs.

É engraçado falar sobre essas coisas, mas, se você já passou dos 24 ou está chegando lá, sabe como essas coisas vão passando a “fazer morada”, lentamente, em nossos pensamentos! rs. E isso é natural! Deus colocou em nós esse desejo de formar família, de começar uma nova história – a NOSSA história! É algo dEle em nós, então, é natural que ansiemos por isso.

Mas, infelizmente, toda essa situação é algo que tem levado MUITAS moças, inclusive moças cristãs, a se desesperar e começar a abrir mão dos padrões e valores de Deus para sua vida emocional e relacional. Tenho visto tantas moças que antes estavam esperando por um verdadeiro homem de Deus, o seu “cavaleiro de armadura brilhante”, começar a se preocupar tanto com o tempo passando que passaram a diminuir o seu padrão, a acreditar que não vale mesmo à pena esperar por um relacionamento do coração de Deus, em pureza, em santidade. Quantas moças, ansiosas que estavam por encontrar a pessoa certa, acabam se iludindo com caras errados e tentando fingir que são os certos, somente pelo “quase desespero” para não ficarem sozinhas, ou porque se permitiram ficar tão frágeis emocionalmente que aceitam o primeiro “bom” que aparece para suprir a sua carência emocional.

E isso é triste. Muito triste! Nossos sonhos, aqueles que Deus mesmo plantou em nossos corações, começam a parecer tão bobos, inocentes, sem sentido. Na verdade, nós começamos a nos deixar convencer por aquelas vozes, que sempre estiveram presentes, tentando destruí-los, de que eles não tem sentido nenhum. Deixamo-nos convencer porque manter nosso padrão elevado parece diminuir ainda mais nossas chances de encontrar alguém e ter nossa tão esperada “história de amor”.

Se você tem passado por isso, seja que idade você tenha hoje, quero lhe dizer: não se deixe enganar! Não se deixe enganar pelo tempo passando diante dos seus olhos. Não se deixe enganar pelas vozes que querem roubar o tesouro que o Senhor tem lhe dado. Não se deixe enganar por seu próprio coração que tem esquecido de que nossa vida deve ser vivida pela FÉ, e a FÉ é a “certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hb. 11.1). Fé é CERTEZA de que receberemos o que esperamos, porque sabemos de quem e em quem estamos esperando. É uma PROVA, mesmo de coisas que não podemos ver, porque sabemos que podemos confiar nAquele que prometeu. E assim deve ser também em nossa espera por nosso futuro casamento.

Eu poderia estar pensando em desistir, em abrir mão, me desesperar e dizer “não deve ser nada daquilo que eu estive pensando até aqui! Acho que preciso mesmo diminuir meu padrão, senão nunca vou encontrar a pessoa certa!”. Eu teria muitos motivos para querer voltar atrás, de maneira especial o fato de que nunca namorei e já tive várias oportunidades de relacionamento que nunca foram pra frente (sem falar da pressão que é ver minhas amigas noivando, casando e tendo filhos! rs). Eu poderia ser uma pessoa carente por nunca ter me envolvido com ninguém, poderia aceitar a opinião de todo mundo de que “se eu não tentar, nunca saberei”, poderia querer me aventurar em alguma coisa meio “legal” pra ver se daria certo... eu poderia – se não fosse essa Voz ressoando em meu espírito, testemunhando com ele de que eu conheço os padrões DE DEUS, e são esses padrões que eu devo seguir.

Mas, mesmo quando bate a carência e a solidão (porque, sim, elas batem!), mesmo quando fico cansada de estar esperando durante todo esse tempo, mesmo quando perco as forças ao ver como é difícil essa coisa de se envolver e relacionar, mesmo quando fico mal cada vez que acho que encontrei “a pessoa certa” e descubro (mais uma vez) que “ainda não é ele”... mesmo com todos esses momentos, no fim, às vezes após muito choro e muita briga com Deus, meu coração sempre acaba acalmando, aquietando, como uma criança que fez birra durante um tempão, se cansou e ficou quieta, e sempre conclui: mas AINDA VALE À PENA ESPERAR! Eu SEI que VALERÁ À PENA!

Sei que valerá à pena quando penso na história que poderei contar um dia – para minhas filhas e meus filhos, para as crianças e adolescentes de uma geração que diz ser impossível se manter puro, virgem e separado para o casamento, para as gerações que virão e nas quais será cada vez mais comum o divórcio, os casais que se “juntam” mas nunca se casam, os adolescentes que iniciam e mantem vida sexual ativa cada vez mais cedo, gerações nas quais as palavras PUREZA e SANTIDADE serão quase extintas, e nas quais quase nunca se falará ou acreditará em AMOR VERDADEIRO!

Sim, quando em penso em todas essas coisas, e em poder falar para essas gerações, meus filhos, meus netos, seus amigos, e para minha própria geração ou os adolescentes de hoje que, em pleno século 21, quando quase ninguém mais acreditava em casamento, família, honra, valores, eu ESPEREI PELO MEU FUTURO ESPOSO, isso enche meu coração de alegria e expectativas! Como será lindo dizer que guardei para aquele com quem me casei não apenas a minha virgindade, mas também meu coração, meus sonhos, meus beijos, meus carinhos, tudo somente para ele! Como será lindo dizer para ELE o quanto eu o esperei, o quanto abri mão de todos os outros, porque eu estava esperando por ELE! Como isso será um presente para nosso matrimônio e para nossos descendentes!

Sim, ainda vale à pena esperar! Eu não tenho dúvidas disso! Vale à pena porque, através das lutas que enfrentamos, meninas, das dificuldades e dos nossos momentos de solidão, quando gostaríamos de estar com alguém mas decidimos continuar sozinhas porque a Voz do Senhor ainda não ressoou aquele “Sim, é este que eu estava preparando para você!”, através de tudo isso estamos permitindo que Deus escreva uma história que O honrará e O testemunhará num mundo que necessita urgentemente disso! Precisamos ser não apenas as vozes que falam de pureza, santidade e vida rendida aos pés do Senhor – precisamos ser os EXEMPLOS de uma vida assim! E isso tem um preço, que nós sabemos quão caro custa, se optamos por pagá-lo. Mas a recompensa por fazer essa opção um dia chegará, e a maior de todas será ver Deus usando nossa história para o SEU LOUVOR!

Por favor, meninas cristãs, convoco vocês a não desistirem! Continuem firmes nos propósitos que o Espírito Santo tem plantado em seus corações, continuem firmes na Palavra de Deus, continuem firmes na direção do Pai! Este mundo precisa de vocês. Este mundo precisa de nós!

Com amor, sua irmã que tem lutado este duro, mas ainda assim Bom Combate junto com vocês!

Aline.

sábado, 28 de abril de 2012

Sobre corações, ilusões, decepções e sexo oposto




Vou falar para os rapazes. A situação é essa: você conhece alguém legal, se aproxima, descobre semelhanças e se tornam amigos. Se tornam amigos de verdade. Passam muito tempo juntos, compartilham coisas, gostam da companhia um do outro. Você (rapaz) tem a certeza de que ela está interessada em você (afinal, por quê ela investiria tanto tempo e atenção em você se não estivesse, não é?) e você, definitivamente, está totalmente envolvido. Tem convicção de que encontrou a pessoa certa. Finalmente, se declara. E ela...

Ela toma um choque. “Nunca havia pensado nisso”. Mas promete parar pra pensar. E ela pensa... E pensa em muitas coisas: o quanto gosta da sua companhia, de conversar com você, quanto admira suas qualidades, sua maneira de pensar e agir, o quanto gosta da atenção que você dispensa a ela, até mesmo que poderia ser legal estar junto de você pelo resto da vida. Mas... em sua declaração havia uma convicção quanto a um futuro juntos, algo tão intenso e definido, que ela não sente. Não há tanta certeza assim quanto a querer um futuro juntos no coração dela.

Ela entra em crise! Não quer perder a sua amizade, da qual tanto gosta, mas não tem certeza se quer ir além disso. A verdade? Ela quer ser apenas sua amiga. Gosta de verdade de sua amizade, isso é precioso pra ela. Mas não pensa, de fato, em ir além disso e investir em algo “para sempre”. Você quer saber o porquê disso acontecer? Esqueça! Ela também não sabe. Só sabe que, apesar de gostar sinceramente de você como pessoa, não é a pessoa com quem “se vê” passando o resto da vida.

Porém, se lhe disser um não definitivo, acabará com suas expectativas, ferirá você e, assim, acabará perdendo sua amizade que tanto valoriza. Ela não quer lhe magoar, de verdade. Então, ela tenta “salvar as coisas”: não lhe dirá um “definitivo não”, ao invés disso, tentará demonstrar isso paulatinamente, “lhe fazer entender”, mas continuando a ser “sua amiga” como sempre.

Talvez ela até tenha lhe falado que não tinha certeza, que “naquele momento, ela não via o relacionamento de vocês assim” ou que “precisavam deixar o tempo passar” ou mesmo que você não era o cara que ela estava esperando. Mas, apesar disso, ela continua lá – do mesmo jeitinho de sempre. Ela falou que “não sabia” ou que “não queria”, mas continuou ligando, querendo conversar e compartilhar de sua vida com você, pedindo seus conselhos e querendo sua companhia, sendo meiga, atenciosa, carinhosa... Sua conclusão parece óbvia (para você): “Ela está insegura, mas gosta sim de mim!”. Mas, para ela, a conclusão não é assim tão óbvia: “Eu já disse que não tenho certeza. Ele vai perceber que não sinto o que ele sente, mas podemos continuar sendo amigos...”.

Para você, estão investindo em um relacionamento romântico. Para ela, você deve ter entendido ou estar entendendo que ela gosta muito de sua amizade, mas não está preparada pra ir além disso. E ambos vão seguindo assim, se encontrando, curtindo a presença um do outro, dividindo sonhos, projetos, percepções... mas, sem perceber – ou sem querer perceber – que estão investindo em coisas diferentes.

[...]

Talvez a questão seja exatamente essa. Ele não quer lidar com o fato de que ela não sente o mesmo que ele, pois isso irá doer e ele não quer perder as esperanças de que seu sonho de ficar com ela se realize. Ela não quer lidar com o fato de que ele realmente gosta dela e de que ela precisa ser sincera e que isso, sim, o magoará e abalará a amizade, que ela perderá a atenção que ele tanto lhe dispensa e que isso fará muita falta, mas que não é justo permitir que ele continue alimentando uma esperança que ela mesma não alimenta. É mais fácil, para ambos, fingir que não estão vendo o que acontece.

Não sei dizer se ele realmente não vê que ela não corresponde aos seus sentimentos, que o que ela sente é diferente do que ele sente, afinal, ela continua sendo tão atenciosa e carinhosa. Não sei, meninos. Mas, a esse respeito, posso falar para as meninas: nós somos muito egoístas quando permitimos que um rapaz que já declarou abertamente alimentar expectativas futuras e sérias a nosso respeito continue alimentando-as, quando nós não compartilhamos dessas expectativas! Se não temos a convicção que eles têm, precisamos deixar isso CLARO para eles! E deixar isso CLARO, de certo, não inclui querer continuar estando todo tempo perto, estimulando a atenção deles para conosco e investindo muitas das nossas atenções neles. Sim, nós não queremos perder a amizade daquele cara de quem tanto gostamos, e por isso fazemos isso, mas está errado! Ele está envolvido, de verdade, e nossa aproximação constante só passará a mensagem de que também queremos esse mesmo envolvimento e, por isso, o estimulamos.

Menina, se você não pode sentir a convicção que ele sente a respeito de um futuro juntos, você precisa ser sincera e clara. E, atenção, você precisa ser sincera e clara com VOCÊ mesma, em primeiro lugar: ainda que vá doer o não poder corresponder ao sentimento dele, você precisa ser honesta com você mesma sobre se o que você quer é apenas a amizade e companhia dele, ou um compromisso romântico sério e definitivo. Não podemos fugir dessa resposta, em função do medo de magoá-lo. Com absoluta certeza, ele sairá muito mais ferido quanto maior for o tempo que as suas expectativas e sonhos forem alimentados enganosamente. Não é fácil, mas é egoísmo colocar nossa necessidade de continuar com aquela amizade acima dos sentimentos que ele está desenvolvendo e que serão frustrados. Se realmente você gosta dele, pense nele em primeiro lugar e deixe as coisas claras.

[...]

Então, (rapaz), ela finalmente resolveu colocar um “ponto final”. Resolveu assumir que não acompanhava suas expectativas quanto ao futuro e lhe dizer isso. E o seu mundo desaba! Aquilo que você estava se esforçando tanto para não ver, de repente, parece ser jogado bruscamente em seu peito, dilacerando cada um dos seus sonhos mais profundos! Você realmente queria passar o resto de sua vida do lado daquela moça! E você se sente traído, enganado. O que vai fazer com todo esse sentimento, agora? O que vai fazer com todos os seus sonhos, todos os planos de passar o resto da vida juntos? Parece que tudo de mais importante que você estava construindo nos últimos tempos de sua vida desabou.

Agora, você precisa se distanciar. Você precisa ficar só, pra tentar entender o que fazer com tudo isso e como sobreviver a essa perda. E esse é EXATAMENTE o maior medo DELA! Você simplesmente some – e, agora, é ela quem se desespera! Ela tem consciência de que seu mundo deve ter se destroçado e dois sentimentos se misturam dentro da mente e coração dela: a culpa por fazê-lo se sentir assim (justamente você, uma pessoa de quem ela tanto gosta!) e o medo de perder a sua amizade, que é tão especial na vida dela. O resultado: ela tentará, de toda maneira, impedir o seu distanciamento!

Com uma sinceridade dolorosa até para mim mesma, enquanto mulher, cheguei a uma conclusão bem difícil em relação à essa necessidade de reaproximação que nós, meninas, costumamos desenvolver: egoísmo. Sim, por mais difícil que seja assumir isso, há muito de egoísmo em nossa postura, talvez essa seja a nossa maior motivação intrínseca. A verdade é que estamos pensando em nós mesmas em primeiro lugar e acima das necessidades do outro: queremos nos livrar do sentimento de culpa por tê-lo magoado e, assim, nos sentir menos mal por ter dito um “não”; temos medo (e não queremos) perder aquela atenção tão dedicada que recebíamos antes; até pensamos em quanto seria doloroso vê-lo dedicando a atenção que antes era nossa à outra menina. E por isso é tão difícil aceitar a distância. Isso não quer dizer que não gostávamos de fato da amizade dele ou que não tenha doído mesmo em nós o não corresponder aos seus sentimentos. Porém, na hora de decidirmos como nos comportar nesse momento de término, na hora que decidimos insistir em uma reaproximação, é em nós e nossas necessidades que pensamos – e não na dor que ele está sentindo e em sua necessidade. E isso é egoísmo. E precisamos refletir muito honestamente acerca de nossos próprios corações e motivações nesse momento.

Agora, algumas reflexões/sugestões para cada caso:

MENINAS: Nós precisamos entender que eles NECESSITAM desse distanciamento. Eles precisam ficar sozinhos, afinal, sonhos e expectativas que eles construíram de maneira muito intensa precisarão ser desfeitos e não é nada fácil lidar com isso! Sei que sabemos disso, que ficamos preocupadas, que não gostaríamos de ter sido instrumentos pra que isso acontecesse nas vidas deles, que não queremos que as coisas terminem dessa maneira, com o fim da amizade e de tudo de bom que foi construído, e é por esses motivos que não aceitamos o distanciamento deles e que não conseguimos ficar muito tempo sem algum contato. Mas, PRECISAMOS compreender que esse é um tempo que eles precisam – LONGE DE NÓS. Que nossas tentativas repetitivas de reaproximação encherão o coração deles de confusão, de falsas esperanças novamente, e isso dificultará ainda mais o processo de superação que eles precisam passar. Infelizmente, talvez nada volte a ser como era antes. Provavelmente. Talvez o tempo permita que algum contato seja retomado, mas esse tempo não será duas semanas ou dois meses. Vai demorar pra que eles se refaçam depois de algo assim, e nós precisamos respeitar esse tempo. É um desafio para nós – tanto se alguma de nós passar por essa situação, quanto se alguma de nossas amigas passarem. Devemos lembrar que eles precisarão de um tempo totalmente longe.

MENINOS: Só o que as meninas querem saber é que vocês não as ODEIAM e não as consideram as PIORES CRIATURAS DA FACE DA TERRA! É assim que elas estão se sentindo e é isso o que elas acham que vocês estão pensando a respeito delas. Parece dramático? Nós somos dramáticas mesmo! Elas se sentem mesmo culpadas por fazerem vocês passarem por uma decepção assim. Elas realmente gostavam da amizade de vocês – não era “uma farsa”. E é mesmo MUITO doloroso pra uma mulher magoar alguém de quem se gosta, especialmente se essa pessoa gosta dela de uma maneira especial. Nenhuma moça de verdade gostaria de passar pela situação de ter que frustrar os sonhos de um rapaz. Isso é horrível para nós também! Não quero, com isso, justificar qualquer coisa ou defender o “meu sexo”, pois, tentando (pelo menos) me colocar no lugar de vocês, já imagino o tamanho da dor que vocês passam, quão maior ela deve ser “na real”. Mas gostaria que vocês soubessem que, pelo menos nos casos das meninas sérias, elas não estavam brincando propositadamente com os sentimentos de vocês. Então, se posso pedir algo a vocês, pediria que vocês pudessem dizer a elas que não as ODEIAM (espero que não odeiem!), que a questão não é que vocês não querem mais vê-las “nem pintadas de ouro” porque passaram a “abominá-las”, mas que vocês precisam de um tempo sozinhos para tratar seus próprios corações. Deixem claro que vocês precisam desse tempo sozinhos para se refazer. Só queremos saber que aquele que um dia foi um amigo especial em nossa vida não passou a nos achar as piores pessoas da terra. Se puderem, se realmente não acharem isso, digam isso, e talvez as coisas caminhem de uma forma melhor para ambos.

Não estou escrevendo isso por ter passado por algo assim recentemente (apesar de já ter passado, em algum momento da minha vida), mas porque tenho visto pessoas sofrendo por conta dessa situação. E por perceber que muito desse sofrimento decorre da falta de entendimento que temos do outro lado – ou da falta de tentarmos ver que existe um outro lado também. Que as meninas se coloquem no lugar dos rapazes e, assim, percebam que a dor deles precisa de distância para ser tratada. E que os rapazes (se é que se pode pedir algo a eles, nessa circunstância) tentem se colocar um pouquinho no lugar dessas moças que feriram seus corações (mas que não gostariam de tê-lo feito), para perdoar ou, pelo menos, saber explicar um pouco suas necessidades a elas, ou alguma coisa assim.

No final, que Deus nos ajude a crescer através de todas essas coisas e que toda dor que Ele nos permite passar seja para que sejamos moldados cada vez mais à semelhança de Cristo. Que tudo, no final, redunde em glória Àquele cujos caminhos e vontades são sempre perfeitos. Ele sempre está no controle, afinal.

Ele ajude-os a se reerguer e voltar a caminhar.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Vontade de crescer...


“Quero ser como a criança, te amar pelo que és, voltar à inocência e acreditar em ti. Mas, às vezes, sou levado pela vontade de crescer, torno-me independente e deixo de simplesmente crer...”

Há um momento na vida de cada criança, logo depois que ela aprendeu a dar passos mais firmes e um pouco mais apressados, em que ela acha que já está suficientemente pronta para andar sem a ajuda dos pais. O filho, que antes pedia a mão do pai para dar um só passo que fosse, inseguro e com medo de cair, de repente ganhou segurança e, agora, quer largar a mão do pai a qualquer custo. O pai, experiente, sabe que os passos do filho ainda são cambaleantes demais para subir escadas sozinho, descer uma ladeira correndo ou andar sobre pedras ou caminhos tortuosos. Mas a criança fica brava a cada vez que o pai pega suas mãozinhas, contra a sua vontade, e a segura forte, limitando a velocidade de sua corrida pela liberdade ou dos caminhos para onde deseja correr. É a sua primeira vontade de crescer e se tornar independente.

Assim somos nós com Deus, nosso Pai, muitas vezes. Vivemos, um dia, um tempo em que tínhamos consciência de nossa incapacidade de andar sozinhos – não sabíamos nada, nem aonde estávamos indo, nem como faríamos para chegar a algum lugar, nem como as coisas aconteceriam, mas tínhamos o nosso Pai, e só queríamos segui-Lo. Então, segurávamos em Suas mãos e simplesmente andávamos com Ele. Éramos crianças, conscientes de nossa dependência de Deus. Um tempo de inocência, simplicidade, entrega, sem vergonhas, sem matemática, “simplesmente crer”.

Mas, toda criança cresce, e também somos chamados a nos tornarmos adultos na fé, maduros espiritualmente. E é quando começamos a conhecer o caminho, o rumo aonde vamos, os passos que daremos, os mistérios que ele guarda. Nosso Pai vai nos ensinando, assim como aquele pai, pacientemente, ensina seu filho pequeno a dar os primeiros passos e a ganhar confiança para caminhar. E é quando essa confiança chega e, tão erroneamente, como aquela criança, achamos que podemos largar a mão de nosso Pai e andar sozinhos. Achamos que crescemos e, mesmo que de uma maneira muito imperceptível, começamos a viver como se fossemos independentes.

A maioria de nós deve lembrar de seus primeiros anos com Deus – quando nossa mente sabia tão pouco, e então vivíamos com aquele amor que impulsionava nosso coração a busca-Lo e ama-Lo e andar com Ele, falar com Ele, aprender dEle. Pedíamos a mão do nosso Pai para tudo o que fazíamos, simplesmente porque não sabíamos fazer nada sozinhos. Ele, então, começa a revelar-se a nós, senta conosco com muita paciência e nos ensina verdades, abre nossos olhos e começa a preparar nossa mente para o entendimento da verdade. Nesse momento, somos como a criança que descobre um mundo novo, cujos olhos brilham de emoção, empolgada com seus novos aprendizados, com o coração pulsando intensamente dentro do peito e aquela admiração indescritível pela sabedoria do Pai.

Porém, após alguns anos ou meses ouvindo os ensinos do Pai, nossas mentes vão desenvolvendo e o raciocínio se tornando mais ágil, as verdades vão sendo compreendidas com mais facilidade, vamos nos tornando mais maduros, e aquele brilho nos olhos, aqueles batimentos cardíacos acelerados e aquela admiração intensa pelo Pai que ensina vai diminuindo e diminuindo. É quando começamos a achar, ainda que inconscientemente, que podemos soltar a mão do nosso Pai e caminhar sozinhos. Começamos a achar que já aprendemos o suficiente para avançar no aprendizado sozinhos, que já estamos maduros o suficiente para não precisar da mão do Pai toda hora segurando a nossa. Tornamo-nos independentes. Progressivamente, a inocência, a simplicidade, a dependência vai sendo substituída por um sentimento de capacidade, um certo distanciamento, uma necessidade de coisas mais complexas, ao invés das simples que antes aqueciam o coração.

De fato, chega um momento na vida de cada ser humano, em que estamos prontos para sair da casa dos nossos pais e viver nossas próprias vidas, sem precisar de suas intervenções e conselhos permanentes e de suas mãos segurando continuamente as nossas. Aprendemos o bastante para caminhar por nós mesmos. Chegamos, inclusive, ao ponto de sermos nós os que passamos a segurar as mãos dos nossos pais para que eles não caiam, orienta-los e aconselha-los em alguma decisão a tomar, cuidar deles.

Mas não é assim com Deus. Não importa quanto cresçamos, quanto aprendamos, quanto conhecimento ganhemos, quanto saibamos explicar as verdades do Pai, quanto tenhamos amadurecidos na fé... em um ponto sempre seremos como crianças: nós SEMPRE dependeremos do nosso Pai! Não parcialmente, não em algumas circunstâncias, mas em todo tempo. E, ainda que a Palavra do Pai nos estimule ao crescimento e amadurecimento na fé, ela também nos diz que se não formos como crianças, de modo algum entraremos no Reino dos céus, porque o Reino dos Céus é das crianças. Portanto, há uma criança que precisamos sempre ser. Não crianças na falta de maturidade, entendimento, compreensão, mas crianças na inocência, na capacidade de admirar-se no Senhor, na confiança sem limites, na entrega incondicional, na alegria de estar com o Pai... Essa é a criança que deve permanecer em nós, mesmo quando já estejamos caminhando para nos tornarmos adultos na fé.

É como aquele aviador que conheceu e apresentou-nos o Pequeno Príncipe: adulto, sim, cheio de conhecimentos e capacidade de fazer coisas espantosas aos olhos dos homens, mas lembrando que a maioria dos homens preocupa-se com coisas de pouco valor e sem verdadeiro sentido e que, portanto, é preciso lembrar que o essencial é invisível aos olhos – só se vê com o coração. Então, aquele adulto resolve manter vivo e cultivar o seu bom lado criança – de enxergar além do raciocínio, de ter emoções fortes e reais, de olhar com inocência, de admirar as coisas simples, de sorrir e se satisfazer com o que os grandes homens dizem ser pequeno...

Essa é a criança que devemos cultivar em nós: aquela que volta ao Pai, todo tempo, com amor e admiração nos olhos, com um sorriso de alegria por estar com Ele, consciente de que não pode fazer muita coisa sem a Sua mão segurando-a, de que nem perto está de saber o bastante, de que é dependente e assim desejando permanecer. Uma fé que nos permita “simplesmente crer”...

Quero ser como a criança...

Ensina-nos isto, Senhor.

terça-feira, 27 de março de 2012

Um caminho para trilhar juntos...



Havia uma trilha antiga, já bastante esquecida e abandonada, mas cuja beleza e claridade jamais se apagavam. A singularidade daquele caminho, por mais difícil de ser encontrada, ainda atraia andarilhos. É verdade que não eram muitos. De fato, era bem escasso encontrar alguém por lá. Mas, certamente, ainda havia alguns.

Dentre estes, havia um rapaz, caminhando só, meditando em belas preces e se comprazendo no fim ao qual aquela trilha levava, aprendendo a amar a trilha e cuidar dela tanto quanto pudesse, até alcançar o fim.

Em um trecho um pouco distante, sem jamais imaginar haver outro caminhante por ali, havia também uma jovem. Seus passos também eram sós, mas ela andava e cantarolava a alegria de ter encontrado aquela vereda de vida, de flores e montes, e também ansiava profundamente alcançar os tesouros que estavam preparados no fim daquele caminho.

O caminho era a alegria daqueles dois corações. Mas, após um longo peregrinar, o Senhor do caminho, Aquele que a tudo via e a todos guardava, olhou e viu aqueles dois corações alegres, porém sós. E Sua voz ressoou, dizendo: “Não é bom que o homem esteja só... melhor é serem dois do que um, porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro... se dois dormirem juntos, eles se aquentarão... e, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se quebra tão depressa”.

A voz alcançou o coração dele, cujos passos foram se tornando mais lentos e permitindo-o atrasar-se mais no prosseguir. A voz também alcançou o coração dela, que passou a andar mais dedicada e apressadamente, acelerando a caminhada. Foi assim que, sem que um ou outro pudesse imaginar encontrar companhia para seus passos solitários, aqueles dois jovens se encontraram.

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É assim que vejo o casamento hoje: um caminho para trilhar juntos. Encontrar aquela pessoa que está indo aonde você está indo, que, assim como você, ama o caminho e deseja fervorosamente seu desfecho glorioso, mas que, assim como você, caminhava só. Até que a voz do Senhor do caminho ressoa e os une. E o caminhar que antes se fazia sozinho, passa-se a fazer junto. As alegrias da caminhada, antes explodindo apenas dentro de seu próprio coração, agora podem ser compartilhadas. Os sonhos agora podem ser divididos e sonhados, alimentados e vividos também por outra pessoa. O cansaço e as dificuldades agora contarão com uma companhia, uma conversa, um conselho, uma mão cruzada à sua para não lhe deixar desistir. O que antes era individual, passa a ser comunhão – e, então, o que se deseja é andar juntos até o cumprimento da jornada.

É assim que vejo a escolha de um cônjuge hoje: alguém que escolheu o mesmo caminho, procura chegar ao mesmo glorioso lugar, se alegra com a jornada na qual se está empenhando e deseja compartilhar essa caminhada com você. Alguém com quem você deseja compartilhar a sua caminhada. Alguém pra sonhar seus sonhos e cujos sonhos também se tornarão os seus. Alguém para dar as mãos, abraçar e caminhar – até o fim. Alguém para lhe ajudar a amar ainda mais o Senhor do caminho, a não desviar os seus passos das veredas de vida, a manter os olhos no fim que se espera, e a quem você também poderá ajudar em todas essas coisas.

Talvez, e muito provavelmente, meu entendimento sobre o casamento ainda tenha muito o que mudar e amadurecer, como tem sido até aqui. Mas hoje há mais paz, mais segurança de que um dia a voz do Senhor, que tudo vê e a todos os caminhantes ama, irá ressoar dizendo: “Não é bom que o homem esteja só...”. E unirá os andarilhos, para peregrinar juntos. E é essa consciência, de que se está junto para algo muito maior do que nós mesmos, para compartilhar propósitos e alegrias muito superiores, que manterá essa união até o fim – juntos para completar a jornada, rumo Àquele que une e ama.

Por isso, a importância de quem se escolhe para estar ao lado – vocês realmente estão caminhando para o mesmo Lugar? Vocês realmente amam o caminho e desejam cuidar dele e alcançar o seu ápice com semelhante sinceridade? Você realmente poderá compartilhar sua vida, sonhos, propósitos, tribulações, dúvidas com o outro, e receber como suas a vida, sonhos, propósitos, tribulações dele?

Mas, acima de tudo: foi realmente a voz do Senhor que ressoou em seus corações e os uniu, e é o amor a esse Senhor que os faz querer andar juntos – até o fim. É esta a convicção que precisamos para, quando o sol se por e a trilha se fizer escura, quando o canto dos pássaros silenciar e o cansaço seu e do outro chegar, lembrar para quê se está junto e para onde se vai – e permanecer.
 
Um caminho para trilhar juntos – até o fim.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Astros sem luz própria


Surpreendi-me, subitamente, com a consciência de estar procurando pela luz que minha alma e meu espírito precisam nos lugares errados. Procuro-a em pessoas que brilham – sem saber que, por si mesmas, elas não têm a luz que preciso para me oferecer. E me veio à mente a lua e o sol.

É como se pequenas estrelas ou astros celestiais sem luz própria estivessem à procura de uma fonte de energia que os fizesse brilhar. Então, eles vêem a Lua – formosa, brilhante, radiante reinando nas noites estreladas. Ela lhes parece o local ideal do qual devam se aproximar. Então, aproximam-se dela, na esperança de que sua luz possa transmitir-se para eles e também fazê-los iluminados.

Porém, tais estrelas desconhecem um fato: a lua, por mais brilhante que esteja, também é um astro sem luz própria. Sua luz não provém de si mesma, é apenas um reflexo da luz do sol. Assim sendo, ela não tem o poder de iluminá-las, ainda que elas lhe estejam muito próximas.

E é como estas estrelas que agimos, muitas vezes em nossa vida. Em nossa necessidade constante e real de termos luz e sermos luz, de vermos nosso coração e espírito ardendo e queimando, precisamos de uma fonte para alimentar-nos. E é quando cometemos o erro das estrelas: olhamos para as vidas de pessoas que brilham ardentemente e, erroneamente, achamos que ao nos aproximarmos delas, consequentemente, seu brilho será transmitido para nós e nos fará brilhar também. Mas elas também são astros sem luz própria, assim como nós.

Eu admiro pessoas cujos espíritos e corações ardem e queimam por Deus com uma facilidade incrível! Olho para suas vidas, e quanto elas são reluzentes, e anseio por ser assim também. E é nessa ânsia que, com muita frequência, esqueço que elas não têm luz própria. Que essa luz que transmitem é apenas um reflexo – do próprio Deus. Esqueço que, por maior que seja a luz que vejo nelas, e por mais perto que eu possa chegar delas, não são suas próprias presenças o que pode gerar luz em mim – no máximo, verei o brilho que elas refletem com maior intensidade, mas esse brilho nunca chegará a ser real em mim se eu não me dirigir à verdadeira fonte.

Essa foi a revelação de Deus pra mim nesta noite: se quero que meu espírito brilhe, que meu coração queime, que minha alma reluza... é dEle que devo me aproximar! Não adiantará, por mais que pareça adiantar, andar com pessoas maravilhosas, cristãos sensacionais, ter amigos que são referenciais de vida cristã, se eu não estou perto DELE. Não poderei brilhar – pois não terei nenhuma luz para refletir. É a luz DELE em minha vida que fará reflexo e me fará reluzir. É o calor proveniente DELE que fará meu coração queimar e fazer a diferença!

Ele é a FONTE – e somente ELE. Nenhum outro lugar. Nenhuma outra pessoa. Nenhum outro caminho. Somente o estar próximo à Ele, caminhando com Ele, aprendendo com Ele, deixando-O falar e ouvindo-O. Nenhuma outra voz poderá trazer a vida que meu espírito necessita.

Meu clamor é que, sempre que meu coração se esfriar e minha luz começar a diminuir, Seu Espírito terno e tão misericordioso ajude-me a relembrar disso: não há nenhuma outra fonte de luz, vida e calor a não ser ELE MESMO.

Obrigada, Senhor!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Por que eu creio?


Creio porque eu estava quieta no meu canto, vivendo minha vidinha de adolescente religiosa que achava sua vida quase perfeitinha e exemplar: era uma das melhores alunas da turma, uma filha que nunca deu grandes trabalhos, tinha uma família muito bem estruturada, era uma católica praticante e bem atuante, participava de debates sobre a Bíblia, família, Deus e fé, não saía com rapazes, não ia a festas com tanta frequência, não vestia roupas indecentes, não bebia nem usava nenhum outro tipo de substâncias viciantes, visitava igrejas evangélicas e tinha amigos nelas, me achava alguém bastante espiritual e não via nada em minha vida que precisasse de grande mudança. Achava que conhecia a Deus e andava com Ele. Não pedi pra que nada mudasse – não achava que precisava mudar.

Foi quando recebi um convite pra participar de um encontro de jovens bastante famoso na cidade e o qual eu tinha muita vontade de conhecer. Lembro tão bem do primeiro dia de encontro e da metade do segundo dia, nos quais meu pensamento, ao olhar pra tantos jovens com crises familiares enormes, problemas com álcool e drogas, homossexualismo, violência e outras histórias desastrosas, era: “Como esses jovens precisam de Deus e de transformação em suas vidas! Deus fale com eles nesses dias!”. Em nenhum momento pensei que aquele encontro seria para MIM. Não achava que era um dos que “precisavam” daquele encontro, pois achava que já tinha o que precisava. Mas eu nem imaginava o que iria acontecer.

No segundo dia de encontro, após tantas palestras lindas e outras formas de anunciar o amor de Deus, após ter conhecido pessoas novas e ouvido muitas coisas, houve um momento de “ficar a sós” – nós e Deus, somente. Era um momento em que ficávamos num lugar aberto e, após uma dinâmica, todos se separaram e ficaram sozinhos, e era hora de falar com Deus. Não havia ninguém falando nada. Somente uma música de fundo e um tempo livre para você se aproximar de Deus. E foi ali que Ele se achegou a mim. Eu não pedi, Ele simplesmente chegou. E, sem que ninguém precisasse falar nada, Ele abriu meus olhos, me mostrou o tamanho de minha necessidade dEle, o tamanho de minha distância dEle, o tamanho de minha religiosidade, meu egoísmo, minha vaidade, minha vida controlada por mim mesma – e me disse que tinha outros planos para mim. Foi quando entendi que havia mais para minha vida – e abri mão de todo o resto, de todo o auto-controle, de todos os desejos e prazeres carnais, porque eu queria viver com Ele e para Ele. Com TODA minha sinceridade, posso dizer convicta que, naquele momento, eu nasci de novo. Não falei pra ninguém o que havia acontecido, apenas eu sabia, mas a minha vida jamais voltaria a ser a mesma a partir de então.

Era apenas a primeira de muitas situações como esta: eu achando que já estava “quase perfeita”, totalmente inconsciente da necessidade que eu tinha de Deus, totalmente incapaz de sequer desejar ser liberta de coisas que me escravizavam, e Ele vinha novamente, no mesmo silêncio, na mesma paciência e sutileza, tocava em meus olhos e me mostrava minha real situação. Em cada momento que pude enxergar meu pecado, meus enormes desvios do caminho, meus “erros teológicos”, minha meninice na fé, não foi porque eu simplesmente “quis” vê-los. Eu nem tinha condições de querer vê-los, tão imersa eu estava neles. Foi a Graça dEle. ELE foi lá, me alcançar no meio do caminho errado onde eu me encontrava, e ELE me trouxe de volta. Ele foi testando minha fé infantil e aperfeiçoando-a, até que o amadurecimento fosse chegando paulatinamente, firmado em cada passo dado no passado e presente.

É por isso que eu creio. Porque olho para minha vida e vejo um verdadeiro MILAGRE. Um milagre porque, ao olhar pra tudo o que já houve, não havia NADA em mim que pudesse ter me conduzido até aqui. NADA. Nem mesmo a vontade de dar o primeiro passo veio de mim mesma, quanto mais a capacidade de ser convencida e capacitada a mudar o rumo e recomeçar continuamente. Tudo o que houve foi Ele quem fez. Tudo poderia ter acabado por tantas vezes. Eu me desviei do caminho tantas vezes. Mas Ele continuava lá. Cada “coincidência” era mão dEle. Cada “desastre” era também a mão dEle – livrando-me do que estava por vir.

Não fui EU. Em momento nenhum, como não sou EU agora. Foi ELE e é ELE. Porque eu nunca fui e nunca serei capaz em minhas próprias forças. Porque eu sequer merecia a Ele, pois a verdade é que eu nem O queria de fato e rejeitava a ideia de abrir mão de meus prazeres por causa dEle. E é por essa consciência que eu creio. Sim, eu creio porque Ele me deu FÉ, porque Ele abriu meu coração e olhos, apesar de mim mesma e de minha falta de merecimento. Creio porque a história, sem Ele, seria tão trágica – a menina sem identidade, sem saber nem quem era nem para onde estava indo, a menina que queria se sentir amada e queria ter amigos. E como a história poderia ter se transformado no que é hoje sem ELE? Como poderia haver tanto amor e alegria e sonhos se tudo isso não fosse milagre DELE? Se fosse só EU na história? Não. Não poderia. Seria demais para quem não tinha forças nem mesmo para descobrir-se a si mesma. E hoje as coisas são como são.  Isso é BONDADE. Isso é AMOR. Isso é GRAÇA.

Creio porque minha vida e minha história são um milagre DELE. Porque continua sendo. Porque só estou de pé ainda por causa de Sua graça tão grande, pois continuo pequena e frágil. Continuo “erva do campo”. Mas ELE continua sendo DEUS – Aquele que já ERA antes de todas as coisas, Aquele que fundou tudo o que há, Aquele que É e SEMPRE SERÁ, Aquele em cujas mãos está toda a Criação e toda a História, Aquele que é TUDO em TODOS. Ele continua sendo DEUS, e eu continuo sendo HUMANA. Mas Ele ainda insiste em continuar essa obra incompreensível e indescritível em minha vida. E Ele ainda tem tantas histórias assim para realizar em tantas vidas. Basta crer.

“Pois eu tenho por certo isto, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1.6)

É por isso que eu creio.

A ti seja a glória, Pai, por Sua tão grandiosa graça, manifesta em Jesus, e por continuar derramando-a sobre mim. Tudo é Teu!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Reconhecidos pelo quê?


Pelo quê nós queremos ser reconhecidos pelos outros, quer no presente ou no futuro? Pelo quê queremos ser lembrados por aqueles que tiveram a oportunidade de nós conhecer ou de ouvir falar de nós? O que queremos que seja falado a nosso respeito quando alguém perguntar sobre quem somos?

Essas perguntas começaram a surgir em minha mente e coração de forma especial em função dessa condição meio “pública” de ser “blogueira” e depois de observar como os blogs cristãos têm crescido em número, especialmente aqueles voltados para jovens e que acabam, quase sempre, convergindo para os assuntos sobre romance, namoro, casamento e semelhantes – como acaba sendo também o caso do Mulheres Virtuosas, até certo ponto.

Então, aquela doce voz do Espírito Santo, que testifica com o nosso espírito, começou a soar em minha mente e coração: pelo que você quer ser reconhecida? O que você quer que as pessoas falem, em primeiro lugar, quando falarem de você? E, por fim, uma última pergunta: Qual é a bandeira que elas lembrarão que você esteve carregando?

E a grande questão aqui é: nós dedicamos tanto tempo levantando bandeiras do tipo “côrte”, “romance cristão” e focando nesse aspecto específico da vida cristã, falando repetidas vezes sobre ele, e tantas vezes floreando nossas expectativas a respeito da chegada do “romance de Deus” para nossas vidas que esse passa a ser o grande aspecto pelo qual somos reconhecidos. E passamos a, de alguma forma, querer ser reconhecidos por ele – “a pessoa que defendeu e viveu os princípios da côrte”, ou algo assim.

Não é que estas coisas não tenham a importância devida para serem tratadas repetidamente, porque tenho comentado aqui diversas vezes sobre quanto tenho sido convencida da importância de se abordar esse assunto, porque ele tem sido uma das principais fontes de quedas e desvios entre jovens cristãos. Porém, quantos sites cristãos têm sido reconhecidos quase que exclusivamente, ou prioritariamente, por tratarem do aspecto de relacionamentos entre jovens? E minha pergunta a mim mesma é: até que ponto meu próprio blog tem sido reconhecido por isso? Até que ponto as pessoas têm vindo até aqui somente para ler mais alguma coisa que fale sobre romance cristão? E até que ponto isso tem tomado o lugar que deve ser dedicado exclusivamente a Cristo – em minha vida e em suas vidas?

A questão é que ainda que Deus mesmo nos dê bandeiras específicas para levantar, lutas específicas para lutar, as quais têm a ver com o chamado especial e individual dEle para nossas vidas, essas coisas não são fins em si mesmas – elas são meios. Devem ser meios. Meios de glorificar mais Deus, em Cristo, fazê-Lo mais conhecido e mais honrado em nossas vidas e através delas. A vivência de princípios corretos para o romance não é um fim em si mesma, a formação de uma família no modelo bíblico não é um fim em si mesma, até porque mulçumanos e judeus têm se aproximado muito mais desses padrões do que a maioria de nós, cristãos – contudo, isso não é uma vitória por si só. Todas essas coisas são bandeiras que valem à pena ser levantadas, acima de tudo e em primeiro lugar, quando forem fontes para honrarmos mais a nosso Deus e o glorificarmos mais nessa terra. Esse é o objetivo de todas as coisas.

E, em minhas reflexões sobre minha própria vida, é por isso que eu quero ser reconhecida. É por isso que eu quero que o Mulheres Virtuosas seja reconhecido. Porque fala sobre Cristo, e não porque fala desse ou daquele assunto. Porque prega a Cristo e não porque fala de coisas bonitas. Porque é o instrumento, ainda que fraco, que o Senhor tem me dado a graça de ter para falar de Quem Ele é, das coisas que o honram e agradam, das coisas que Ele espera de nós, de forma que Cristo seja mais conhecido e engrandecido. Quero que falem de mim: “A bandeira dela é Cristo!” – e todas as demais coisas são somente meios para chegar a Ele.

Meu GRANDE anseio é que, um dia, se possa falar sobre mim palavras como as que Jonathan Edwards falou sobre Sarah Edwards, antes dela se tornar sua esposa, quando ainda pouco se conheciam:

“Dizem que em [New Haven] existe uma moça amada do Grande Ser, Aquele que criou e governa o mundo. Dizem que em certos períodos este Grande Ser vem ao encontro desta moça e, de uma maneira invisível, enche-lhe os pensamentos com extraordinário deleite; e que ela dificilmente se interessa por qualquer outra coisa, exceto meditar nEle... [Você] não pode persuadi-la a fazer qualquer coisa errada ou pecaminosa, ainda que prometa dar-lhe o mundo inteiro, pois ela receia ofender a este Grande Ser. Ela possui muita doçura, tranqüilidade e total benevolência de pensamento; especialmente depois que este Grande Ser se manifestou a ela. Às vezes, anda de um lugar a outro, cantando com doçura; e parece estar sempre cheia de alegria e gozo... Ela ama estar sozinha, passeando pelos bosques e campos, e parece ter Alguém Invisível sempre a conversar com ela.” ¹

Ainda me vejo TÃO longe de chegar a um amor, desejo e intimidade tão grandes com o Pai a ponto de se poder dizer algo o mínimo próximo de palavras como estas. Porém, Deus sabe o quanto eu quero poder, um dia, chegar a algo semelhante a isto. Ser reconhecida pela Presença deste Grande Ser tão maravilhoso, e por Ela acima de qualquer outra coisa.

Que a bondade dEle me conceda mais esta graça!

E você? Quer ser reconhecido pelo quê?

[¹ Do livro “Mulheres fiéis e seu Deus maravilhoso”, de Noël Piper, Editora Fiel, pág. 19 e 20]